segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PINHEIRO de LAFÕES-A Minha Freguesia









No século XVI, segundo o «Cadastro das Populações do Reino»(1527) a freguesia de Pinheiro de Lafões era constituída por 13 lugares com um total de 73 fogos, assim distribuidos:
Pinho----------------10-Paços----------------02-Catriz---------------08-Nespereira-----------10-Povoa da Prova-------02-Amtelas--------------04-Paredes--------------12-Povoa do Souoreiro---02-Pereiras-------------05-Ral------------------04-Ponte Forra----------03-Couso----------------06-Porto Ferro----------05

Em 1758 possuía 188 fogos e 206 no primeiro quartel do século XIX. Em 1960 possuía 374 fogos com 1472 habitantes. Em 1970 registaram-se 1163 fogos e 1218 habitantes.
A toponímia desta freguesia é o primeiro indício da antiguidade do seu povoamento. Em 1258 já a paróquia de S. Maria de Pinheiro pertencente à dilatada «terra», distrito ou julgado de Lafões, estava constituída e, decerto, há muito. Compunham-na, no século XIII, as «vilas» rústicas de Guetriz, Nespereira, Paredes Secas, Pereiras, Pinheiro, Porto(de)Ferreiro, Rial e Vespeiras. Paredes alude à arqueologia local e ao povoamento pré-histórico. No geral, são vizinhos de castros lusitanos todos os lugares que em Portugal se denominam Paredes Secas. Parece-nos difícil de determinar o sentido do segundo termo, ligado ao primeiro. Guetriz um genitivo do nome pessoal que deu origem a uma povoação fundada por um germânico, Guedaricus-com início, portanto numa Guedarici Villa «vila» ou quinta de Guedaricus. O nome Vitericus também se presta à interpretação. Do século XI para o século XII possuía aqui bens o rico-homen da «schola» do conde D.Henrique João Gosendo parece que o governador da «terra» de Lafões por toda a qual teve bens numerosíssimos, uns de herança e outros de compra, de cujos títulos estão publicados muitos documentos. Em 1101 Diogo Peres e sua mulher Matrona venderam a D. joão Gosendes e sua mulher, D. Ximena Froiaz muitos bens em várias terras destas imediações entre as quais em Nespereira e em Porto(de)Ferreiro. Este nome era pessoal e muito usado até ao século XIII(nalguns casos, porém, alcunha). O mosteiro de S. Cruz de Coimbra veio a possuir nesta freguesia muitas herdades(um casal em Paredes Secas, seis em Pinheiro, toda a «vila» de Pereiras e parte de Porto de Ferreiro: e como D. João Gosendes doou os seus bens aquele mosteiro, parece pouco de duvidar que fosse este nobre o doador daqueles-e, portanto,um remoto senhor de honras que havia na paróquia de Pinheiro. A sua linhagem e de sua mulher, Dona Ximena, não são fáceis de determinar. Parece que a sua residência era em Coimbra; e em 1087 assistia na cúria do conde Sisnando, governador do território entre o Douro e as terras ainda dominadas pelos Árabes. Data de 1092 a sua primeira doação, a S. Salvador de Coimbra, por alma de seu irmão, Nuno Gosendes. Outras fez à Sé de Coimbra. No sítio de Fiais havia quatro casais que pertenciam ao mosteiro de S.João de Tarouca e o de Salzedas tinha, também, um nos quais ia na hoste e anúduva. Na relação dos bens de Salzedas organizada por Frei B. dos Reis não figura estas possessão entre os do dito mosteiro em «terra» de Lafões. Talvez nessa época(1610) estivesse perdido o título do cartório e o mosteiro já não lograsse esse casal-tudo por incúria dos abades(de que há muitos exemplos análogos).À freguesia foi chamada Pinheiro de Lafões(esta designação porém, não se encontra na Idade Média); e diz-se que o topónimo é devido à existência de um enorme e velho pinheiro, que abrigou uma antiquíssima ermida de S. Maria(que se substituiu pela matriz) e que um temporal derrubou no princípio do século XVIII. Trata-se de interpretação frágil, dada a grande antiguidade do topónimo. Este, supomos, deve corresponder antes a um baixo latim «pinarius»-adjectivo significando, em expressão plena, o terreno propício à proliferação do pinheiro(«pinus»).

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