sábado, 28 de março de 2009

As Desfolhadas/Escarpeladas



                                                                                                    
Com o passar dos anos foram caindo em desuso, mas ainda me lembro de estar presente em algumas , nos meus períodos de férias. Actualmente ainda se fazem, mas talvez por carolice e pela paixão de ainda se irem mantendo algumas tradições.
As desfolhadas ou Escarpeladas, que se realizavam no final do Verão e principios do Outono, juntavam vizinhos e família tornando a obrigação numa verdadeira festa. O sistema era simples, as espigas colocadas no meio de uma eira com cestos estrategicamente colocados, ou então em cima dos carros de vacas. Os trabalhadores colocavam-se em circulo, sentados ora no chão ora em pequenos bancos. Conforme desfolhavam as espigas, colocavam-nas nos cestos e o folhelho para fora da roda. A noite ( porque as desfolhadas eram tradicionalmente realizadas à noite) era animada pelos cantares típicos, e no caso de haver gente para isso por cantadores ao desafio, acompanhados pela concertina. As desfolhadas além de se organizarem numa estrutura de entreajuda entre famílias, tinham um importante papel social, pois era muitas vezes nas desfolhadas que se descobriam amores e eram permitidas certas ousadias como abraçar ou beijar ( na face entenda-se).
Estas ousadias eram permitidas graças à descoberta entre as espigas de milho, de uma espiga de milho vermelho, Milho rei, que, segundo a tradição implicava que quem o encontrasse se levantasse e desse um abraço aos convivas ou um beijo.
No final da desfolhada, e em casas mais fartas, servia-se aos trabalhadores um bom "Morangueiro" acompanhado por umas fatias de broa, com umas belas chouriças e uns bons nacos de presunto.

terça-feira, 17 de março de 2009

CASA BEIRÃ



A casa típica da Beira Alta é quadrangular, ocupa pouco espaço e é geralmente constituída por dois andares, o rés-do-chão e o primeiro andar. O primeiro andar, ao qual se tem acesso por uma escada exterior de pedra, onde se encontram os quartos e a cozinha. As divisões são pequenas, tudo dividido em madeira. A cozinha é o único lugar da casa que tem pedra no chão para acender o lume. Na cozinha, era também vulgar encontrar-se uma salgadeira onde geralmente as pessoas guardavam a carne que iam utilizando na sua dieta alimentar durante o ano. Muito rudimentar, utilizavam a tripeça(banco de madeira com três pés) e as panelas de ferro. Na parte de cima da pilheira era vulgar existir  o caniço, conjunto de canas onde se secavam figos, castanhas e presuntos. 
  No rés-do-chão, existiam lojas para animais, a adega, o celeiro, e os produtos que as pessoas obtinham através do cultivo das suas terras. A loja é um terreno com uma manjedoura e um curral para os porcos. Era na loja que se arrumava a palha e o milho, e na adega, normalmente existiam tarimbas para armazenamento dos géneros alimentícios. 
Ao lado da casa, por baixo do alpendre, havia ainda lugar para resguardar as galinhas.

Portugal e Brasil unidos com troca de afetos em Lafões

Portugal e o Brasil têm inestimáveis laços construídos ao longo de centenas de anos. Países irmãos, cujas histórias se cruzam e entrelaçam c...