sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Carros de Bois/Vacas




Quando da invasão da Península Ibérica pelos romanos houve a introdução do carro de bois na Europa. Salvo pequenas alterações de carácter regional, continua a ser o mesmo de há 400 anos. 
Todo de madeira, compõe-se de duas peças principais: o estrado e o conjunto roda-eixo. O estrado, gradeado ou de pranchas de madeira justapostas, é retangular, apresentando na parte dianteira um varal ou lança - o "cabeçalho". Em cada borda do estrado são fincadas varas roliças - os "fueiros" - que amparam lateralmente a carga. As rodas, em número de duas, geralmente maciças, por vezes com recortes semilunares, elípticos ou losangulares, são de madeira rija, altas e pesadas, protegidas por um aro de ferro quando rolam em terreno pedregoso. Estão solidamente encaixadas no eixo-móvel, que gira entre quatro peças de madeiras - os "cocões" – embutidas no estrado (duas de cada lado) que se apoia sobre eixo pelos "calços". Entre o calço e o eixo é colocado um indispensável suplemento - a "cantadeira" - untada com uma pasta de sebo e pó de carvão, para fazer o carro gemer, quando atritada durante a marcha. "carro que não canta não presta. Não é carro!"... O seu gemido característico, ligeiramente modulado, constitui motivo de orgulho para o "condutor" que não o dispensa nunca.
A força de tração é fornecida unicamente por bovinos, dispostos dois a dois – as "juntas" – cujo número varia com o peso de carga, natureza do solo e topografia da região. As juntas são unidas pelas "cangas" que, por sua vez, são ligadas ao cabeçalho por varais articulados - os "cambões". Tiras de couro - as "tamboeiras" - ligam o cambão entre si. A canga repousa na nuca dos bois, prendendo-os pelo pescoço, que fica entre dois bastões perpendiculares, atados ou embutidos na canga - os "canzis" - cujas pontas inferiores são ligados por uma fita de couro - a "brocha" - passada pela barbela do animal. Atrelada ao cabeçalho fica a "junta-mestra" ou de "pé-de-carro" ou "junta-de-coice", a mais importante de todas, pois, além de abrir a marcha, sustenta grande parte do peso do carro. A que se lhe segue é chamada "junta-forte" e as outras "juntas-de-frente".Para acicatar os bois a "puxar" o carro utiliza-se a "aguilhada", vara fina com um ferrão na ponta.



sábado, 31 de janeiro de 2009

Oliveira de Frades-O Meu Concelho




É uma vila portuguesa no Distrito de Viseu, região Centro e subregião do Dão-Lafões, com cerca de 2 400 habitantes.
É sede de um município com 147,45 km² de área e 10 585 habitantes (2001), subdividido em 12 freguesias. Trata-se de um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos (os outros são Montijo e Vila Real de Santo António), consistindo de duas porções, uma principal, de maiores dimensões, onde se situa a vila, e a outra menor, poucos quilómetros para sueste. O território principal é limitado a nordeste pelo município de São Pedro do Sul, a sueste por Vouzela, a sudoeste por Águeda, a oeste por Sever do Vouga e a noroeste por Vale de Cambra. O território secundário é limitado a norte e nordeste por Vouzela, a sul e sudoeste por Tondela e a oeste por Águeda.
Concelho criado em 1836 por desmembramento do concelho de Lafões nos actuais concelhos de Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Vouzela.
Oliveira de Frades é terra antiquíssima.Comprova-o a Carta de Couto e confirmação de doação do Couto da Vila de Ulveira, aos frades de Santa Cruz de Coimbra, de 1169, concedida por D Afonso Henriques, no balneário de Lafões(actuais Termas de S.Pedro do Sul), onde se encontrava em tratamentos após a queda do cavalo, durante o cerco de Badajoz.
Estes desejos de autonomia, já parcialmente corporizados no referido Couto deram origem a um longo processo de gestação municipal, que culminou com a restauração definitiva do Concelho de Oliveira de Frades, por Decreto de Dª Maria II, de 7 de Outubro de 1837.
Por todo o concelho proliferam vestígios de um passado longínquo, manifestações de um património rico e diversificado. Ao longo de milhares de anos, por aqui passaram e se fixaram diferentes povos,deixando vestígios de uma prolongada permanência,contribuindo para a humanização da paisagem.
O megalitismo tem no concelho uma grande expressão. Classificados como Monumentos Nacionais, revestem-se de especial importância: o Dolmén de Arca e o Dólmen de Antelas. O último pelas pinturas que ostenta na superfície dos seus esteios, a vermelho e a negro, com mais de 5000 anos, é considerado uma jóia valiosíssima da pintura rupestre europeia.
Da idade dos Metais, abundam vestígios de castros e fortificações defensivas, como o Murado da Várzea.
Contemporâneos da época castreja, podemos ainda encontrar gravuras e insculturas rupestres. São sinais gravados em lages graníticas, das quais se destacam a Pedra das Ferraduras Pintadas, que as gentes locais interpretaram como sendo os "pés de todos os animais que havia em outro tempo"(lage onde"as mouras traziam o ouro ao sol"), a Pedra dos Cantinhos,onde, segundo o povo, estão representados moinhos de vento e alfaias agrícolas, como pás, enxadas e gadanhas; e o Rasto dos Mouros, onde se podem observar pegadas humanas e algumas covinhas ou fossetes que segundo a crença popular, são vestígios deixados pelo "cacete de ferro" dos Mouros.
A civilização romana também deixou no concelho, marcas da sua presença. Destacam-se os troços bem preservados de calçada romana, que integravam o trajecto da estrada que ligava Viseu a Àgueda, assim como os marcos miliários que se erguiam ao longo dessa via.
Na via romana, também conhecida por estrada "velha" ou do "peixe", durante séculos cruzaram-se almocreves, que forneciam de peixe as gentes da serra, e peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, que na Albergaria de Reigoso encontravam o acolhimento, sendo-lhes ofertada uma refeição, o calor do fogo, a frescura da água e o conforto de uma cama.
Excelentes obras de engenharia encontram-se ao longo do percurso de outros dois eixos viários estruturantes do concelho: a EN nº16, sucessora da Estrada Real, com o seu traçado sinuoso, em ziguezague constante, e a linha-de-comboio do Vale do Vouga, desactivada na década de 80 do século xx.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A energia nos "tempos modernos"




A viagem no tempo foi efectuada e hoje procuram-se novas alternativas para minimizar a falta de "fontes", que produzam energia eléctrica.O parque eólico do Caramulo é uma dessas "fontes", o maior da região de Viseu e o segundo maior do País. Com 45 aerogeradores já produz electricidade suficiente para 140 mil pessoas, mais que o total de habitantes daquela cidade, informou ontem a GENERG.Localizado nos concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Vouzela, o parque do Caramulo – que ficou completo nos últimos dias –, é, no entanto, o terceiro do País em aproveitamento eólico, com uma potência instalada de 90 megawatts (MW) ao que corresponde, segundo a Generg, 200 gigawatts/hora (GWh) de “energia limpa”.

A GENERG já construiu o maior parque eólico do País, no Pinhal Interior, que, “apesar de não estar ainda concluído, já tem em funcionamento 124 MW”, adiantou à Agência Lusa João Bernardo, da empresa.Com a recente entrada em funcionamento dos três últimos aerogeradores – de um novo modelo, o E-82, de dois MW cada –, de um total de 45, o parque eólico do Caramulo, orçou em 95 milhões de euros.O parque do Caramulo, segundo João Bernardo, é constituído por um conjunto de unidades geograficamente separadas (três sub-parques) que reúnem a energia produzida e a entregam à rede numa subestação comum.


EXPORTADORES DE ENERGIA

O parque da GENERG, na Serra do Caramulo, transformou Oliveira de Frades, Tondela e Vouzela, que no conjunto têm cerca de 55 mil habitantes, em concelhos exportadores de energia.Os três concelhos onde está situado o parque eólico do Caramulo, recebem, em partes iguais, as rendas anuais previstas na legislação, que a GENERG não especifica, sublinhando, no entanto, a importância “estruturante” que a energia ali produzida tem para a rede eléctrica nacional. “Contribui também para a redução da importação de energia, reduzindo, à sua escala, a forte dependência nacional”, representando 2,5 p

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Iluminação nos "velhos tempos"

O fornecimento de luz eléctrica em várias povoações deste concelho começou por volta de 1960. Até aí as pessoas usavam para iluminação principalmente candeias de azeite, candeeiros de petróleo,lanternas,petromaxes ou gasómetros.
Em lagares usava-se uma candeia de azeite de maior volume, com quatro bicos e torcidas e chamas maiores. Chamavam-se candeios.
Quantas pessoas estudaram à luz de candeeiros a petróleo!  Quantas donas de casa fizeram malha ou costura à luz de tal tipo de iluminação!
Quando falamos de “petróleo” em relação a candeeiros, deveríamos ser mais rigorosos e chamar-lhe “querosene” ou “petróleo de iluminação”. Este líquido avermelhado de cheiro característico vendia-se em todas as lojas/ mercearias. Nas candeias e nos candeeiros existia uma torcida embebida em parte no combustível. Devido a uma interessante lei da física, o combustível subia ao longo da torcida. Quando se acendia a ponta da torcida, a chama produzida ia consumindo o combustível e a torcida.
Os candeeiros a petróleo eram em geral de vidro. Alguns tinham um pé alto. As torcidas vendiam-se nas lojas e eram achatadas. Podiam subir ou descer por meio duma roda exterior ligada a outra que tinha dentes e estava em contacto com as torcidas. Estes candeeiros tinham chaminés de vidro que protegiam as chamas.
Para acender um candeeiro a petróleo, retirava-se a chaminé e chegava-se à torcida um fósforo a arder. Para apagar o candeeiro, levantava-se a chaminé e apagava-se a chama com um sopro.
Em certas casas havia suportes para candeeiros a petróleo. Noutras eram colocados onde era mais cómodo e útil, como por exemplo, na mesa de cabeceira, na mesa de refeição ou em cima duma cadeira ao pé da lareira.
Havia candeeiros a petróleo apropriados para usar na rua ou em palheiros. Eram feitos de lata e tinham uma pega para transporte. Podia-se levantar e baixar a chaminé por meio duma mola. Com a mesma finalidade se podiam usar as lanternas, em que quatro vidros laterais protegiam a chama. As lanternas redondas eram utilizadas normalmente, nas charretes. O lampião devido ás suas dimensões, era fixado nos tectos das habitações ou numa parede.
Para uma luz forte atingindo um espaço considerável havia o petromax. Um petromax tinha na base um depósito para querosene e uma bomba manual. Esta servia para introduzir ar que pressionava o combustível e o fazia subir e cair, vaporizado, por um orifício muito pequeno, dentro duma camisa redonda e comprida a que previamente se tinha chegado fogo. A camisa ficava incandescente. A luz produzida era muito clara e de grande intensidade. Ao fim de um par de horas de funcionamento contínuo era necessário dar á bomba ao "petromax" para aumentar a pressão e reavivar a luz.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Fonte/Mina



As minas assemelham-se a bacias, nas quais se acumula água pura,cristalina, e fresca. À volta da mina tudo é vida, tudo é verde, crescem Avencas e outras plantas inerentes ao ambiente circundante. E se estamos com sede é banhar as mãos em forma de concha e sorver ávidamente a água fresca e limpída. É impossível beber água numa mina sem ter pensamentos de gratidão por haver na natureza algo de tão belo.
Passados alguns anos e ao voltar à velha mina/fonte que eu conheci em menino e moço, encontrei-a completamente abandonada e decrépita pela erosão do tempo. Hoje só ficam as lembranças do pedido, que se fazia normalmente à minha tia Maria,( isto na altura das férias e no pino do verão) de ir buscar um jarro com água da fonte. A água fresca(por vezes o jarro de vidro ficava embaciado) saciáva-nos e deixáva-nos retemperados.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

"O Morangueiro"




O morangueiro é um vinho em geral de cor violácea a rosada, com um intenso aroma frutado, que nalgumas circunstâncias lembra o cheiro do morango (daí o nome). Tem em geral baixa graduação alcoólica (7 a 10%), o que dificulta a sua conservação, transformando-se rapidamente em vinagre se exposto ao ar. Tal obriga a que o vinho seja normalmente consumido no ano de produção, sendo em geral os restos destilados para aguardente. Apesar dos enólogos o considerarem de muito baixa qualidade, o morangueiro é refrescante e por ser intensamente aromático é utilizado em refrescos (com uma bebida gasosa) e em culinária, continuando a ter grande número de apreciadores. Os produtores inter-específicos resultam do cruzamento entre uma vitis vinífera e uma vitis americana, solução encontrada para obter vinhas resistentes à filoxera. Os produtores directos americanos são cultores de vitis americana.  O morangueiro apareceu em Portugal na sequência da destruição dos vinhedos tradicionais causada pela filoxera. Ganhou particular relevo no norte do país (nomeadamente no Minho e no Douro Litoral), abrangendo zonas que pela sua humidade e altitude não permitem o cultivo da vinha europeia. Foi nessas zonas que este vinho ganhou maior adesão popular, particularmente porque as vinhas americanas produziam mais que as europeias. A competição feita aos bons vinhos foi intensa, redundando na proibição da comercialização do morangueiro. Nos Açores, a introdução das vinhas americanas, em particular da casta Isabel, levou ao quase desaparecimento das vinhas europeias, sendo ali produzido, em quantidade assinalável, um vinho do tipo morangueiro denominado vinho de cheiro, o qual é comercializado (em violação das normas europeias) e tem um importante papel na culinária e nas festividades tradicionais (é o vinho usado nos bodos dos Impérios do Divino Espírito Santo. No Brasil o morangueiro tem alguma presença no sul do país, não tendo qualquer importância comercial. Em Portugal a comercialização do morangueiro é proibida desde há algumas décadas, embora fosse amplamente tolerada. A União Europeia, a instâncias dos Estados membros produtores de vinho, proíbe a comercialização no espaço comunitário desde 1995, tendo, contudo, anunciado recentemente a intenção de rever essa norma. Em Trás-os-Montes, a eventual alteração legislativa poderá ter um reflexo positivo, pois permitirá reabilitar a produção deste vinho em alguns concelhos, nomeadamente em Montalegre (Covelo do Gerês), Boticas e Vila Pouca de Aguiar, zonas onde era tradicional. O mesmo acontece no Alto Minho e em certas localidades do Douro Litoral. Embora a proibição do vinho morangueiro se deva essencialmente a razões de protecção comercial aos vinhos de castas europeias, tem sido consistentemente alegado que o morangueiro é nocivo para a saúde pela presença do flavonóide malvina, a antocianina corante que lhe dá o tom violáceo, e por ser rico em metanol. Este último composto resulta do facto de algumas castas varietais (Noah, Isabelle, Concord e Ives) darem uvas com elevada acidez, pouco açúcar e película rica em pectina. Nestas circunstâncias, a pectina pode ser desdobrada em metanol por efeito das enzimas naturais. O metanol é altamente tóxico, afectando severamente, mesmo em pequenas concentrações, os olhos. Estudos mais recentes vieram lançar dúvidas sobre os efeitos nefastos da malvina e demonstrar que a presença de metanol é mais o resultado da má vinificação do que das características intrínsecas das uvas americanas. É com base nesses estudos que a Comissão Europeia admite que as castas interespecíficas não são necessariamente produtoras de vinho de má qualidade e que nem sempre põem em risco a saúde. Recomenda contudo, muita precaução quanto à sua elaboração, tendo em conta a percentagem de acidez do mosto e a sua relação directa com a presença de metanol.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

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